O triste fim do IPv4


O endereço IP, é um número que indica o local de um determinado computador está localizado na Internet (Ex: 189.38.38.38). Existem faixas de números para a America Latina, faixas para a America do Norte, faixas para Europa e Oriente Médio, faixas destinadas para a África e outras para a Ásia.

Nos últimos anos, com o crescimento rápido da Internet, alguns sites começaram a alarmar que estamos a dois anos do fim dos números IP disponíveis (de um total de pouco mais de 4 bilhões de IPs possíveis de uso). Nós discordamos, em parte, é claro. Para corrigir este problema, em 1994 foi criado o IPv6, uma versão mais nova do “IP”, que suporta até 25616 dispositivos, ou, vários bilhões de IPs para cada habitante do planeta. Isso por que desde 1993 já se falava que o “IPv4” iria se esgotar em 2 anos ou 3 anos (Wikipedia)… Parece que a história se repete a cada ano desde então… existe inclusive uma calculadora que estima que o IP irá acabar em 02/07/2011!

O FATO é que pouquíssimas empresas estão se mexendo para implantar o IPV6. O Nic.Br lançou um site para auxiliar gestores na implantação, o ipv6.br, mas mesmo assim são poucas as empresas que já se inscreveram para começar a usar o bloco IPv6. Em Abril, no Brasil apenas 116 empresas haviam solicitado um bloco IPv6, e menos de 40 estavam realmente usando. A KingHost já possui um bloco IPv6 “/32” que está em implantação por “pilha dupla”.

Para entender onde queremos chegar, entenda que uma entidade internacional denominada IANA administra os IPs no Mundo. Ela sub-delega para entidades continentais coordenadoras, como: AfrNIC (Africa), APNIC (Asia), ARIN (America do Norte), LACNIC (America Latina) e RIPE NCC (Europa e Oriente Médio). Estas, vão alugar os IPs a empresas diretamente, ou sub-delegar para entidades nacionais, como por exemplo, o Registro.br, no Brasil. Sim, pagamos por cada IP que usamos, afinal, eles mantém a Internet funcionando.

O problema todo tem sido gerado por que na IANA, restam apenas 16 classes de IPs, que começam com 5, 23, 36, 37, 39, 42, 49, 100, 101, 102, 103, 104, 105, 106, 179 e 185, de um total de 255 (por exemplo, um IP da classe 185 seria “185.X.Y.Z”). Cada classe possui 16777216 IPs (256 x 256 x 256). Nesta mesma tabela vemos que em 06/2010, foram alocadas as classes 177 e 181 para a LACNIC (que responde pela America Latina). Em 09/2007, foram alocadas as classes 186 e 187 para a LACNIC. Segundo relatório da LACNIC, as classes 186 e 187 já foram completamente delegadas para empresas e provedores. A última porção do bloco 186 (186.224.0.0/16), foi delegada para o Brasil em 08 de Julho de 2010. Os blocos 186 e 187 começaram a ser sub-delegados pela LACNIC em 06/2008, quase 9 meses depois de terem sido entregues pela IANA. Logo, o tempo de vida de um bloco até chegar no provedor ou empresa que vai realmente usá-lo, pode ser considerado por 9 meses + 1 ano e meio para ser distribuído entre os países da America Latina. Depois disso, mais alguns meses até alguma empresa provar para o registro.br que precisará destes IPs (sim, é preciso preencher um questionário rigoroso provando que você vai usar os IPs e para que vai usá-los). Logo, temos praticamente 3 anos entre o bloco sair da IANA e ser alocado pela empresa que vai usá-lo.

Cada coordenador continental também possui seu estoque de IPs. Então quando acabarem os IPs na IANA, leva algum tempo para que se esgotem os IPs nos continentes, e outro tempo para que se esgotem os IPs em cada país. Por exemplo, os IPs 186.192.0.0 ~ 186.223.0.0 foram alocados para o Brasil em 03/03/2010. Levou 4 meses para ser esgotado e iniciar o uso do 186.224.0.0 ~ 186.255.0.0. Ainda assim, considere o seguinte desperdício que temos atualmente: Hoje, no Brasil, o mínimo que uma empresa pode solicitar para ter seu “próprio IP” são 4096 IPs, ou, um “/20”. Agora imagine quantas delas realmente usam estes 4096 IPs. Com certeza muito poucas. Para teres idéia, a KingHost, provedor de abrangência nacional, hoje possui 8192 IPs alocados e temos pouco mais de 4000 IPs ativos. Sim, temos nosso estoque de IPs para os próximos 3 anos. Também vale ressaltar que as empresas que mais consomem IPs são as empresas de Telecomunicações. Cada conexão ADSL, cada conexão a Cabo e cada conexão discada deverá usar 1 IP fixo. E aí mora o maior problema: os equipamentos da maioria das empresas de telecomunicações não suporta IPv6 (o protocolo que permite ter bilhões de IPs por habitante da Terra), por isso elas continuam “gastando” IPs (IPv4, o protocolo atual, que permite a existência de apenas 4 bilhões de IPs no mundo). A Internet precisa crescer, e ela cresce a cada dia no Brasil. O “core” da rede das operadoras é renovado constantemente; equipamentos obsoletos ou antigos são realocados para redes menores ou cidades novas em que as “Teles” chegam, porém estes equipamentos são antigos e não têm capacidade ou software necessário para que o novo IP, o IPv6, funcione neles. Isso sim é crítico.

Concluindo o pensamento, os bruxos dizem que os IPs devem acabar em 2 anos – falam isto desde 1993. Considerando que em 2 anos tenhamos realmente a distribuição de todos os blocos de IPs na IANA, teremos mais 1 ou 2 anos para o esgotamento nos coordenadores continentais. Depois disso, alguns meses para que esgotem-se os IPs nos países e alguns meses ou anos para que as empresas consumam seus “estoques” de IPs e ai então teremos um verdadeiro comércio de IPs.

Não teremos o fim do IP, nem o fim da Internet. O IPv6 será então consolidado à força!

Conheça mais sobre  o IPv6!

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