eSports: videogame também é coisa séria


O ano é 2018 e ídolos do futebol como Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo dividem os holofotes, ou melhor, os tweets e posts, com pessoas como Kami, Fallen, Coldzera, Yoda, brTT e Faker. E se você ainda não conhece essas pessoas, saiba que eles fazem parte de um número de atletas do chamado eSports, mercado que somente em 2017 arrecadou US$ 655 milhões e com estimativa de chegar a cerca US$ 1,4 bilhão de acordo com o site Newzoo – empresa de pesquisa especializada em análise de mercado.

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eSports: como tudo começou

O eSports, ou Esportes eletrônicos, iniciou de uma forma muito pequena entre os anos 70 e 80 com pequenas competições em universidades e grupos de pessoas que tinham a vontade de competir com algo que até aquele momento era considerado hobby.

As premiações não eram financeiramente alta, em alguns casos nem existiam, mas só a sensação de ganhar não só do teu amiguinho, mas sim de diversas pessoas e se consagrar campeão de SpaceWar (considerado o primeiro jogo a ter em um evento de e-sports) era o que essas pessoas buscavam. O nome eSports não existia, mas a competição para ver quem alcançava a maior pontuação estava lá e isso já bastava para ser o começo de um mercado que décadas depois iria crescer fortemente. Conforme os anos foram passando, os pequenos campeonatos foram evoluindo, premiações aumentando e jogos mais voltados a este espírito competitivo apareciam.

Na virada do milênio, a Coréia do Sul, considerado por muitos a maior responsável pelo crescimento dos esportes eletrônicos, criou uma organização para controlar campeonatos no país (KeSPA). A partir daí, começou a cadastrar os chamados cyber atletas e ver eles como atletas de fato, com federação e direitos iguais aos de futebol, por exemplo,

Seguindo este “boom” de eSports, começaram a surgir jogos que se tornaram os grandes responsáveis por fixarem videogames como um esporte. Jogos como League of Legends, Dota, StarCraft, Counter Strike 1.6 e Street Fighter valem o destaque.

A consolidação do eSports

Com o mercado sólido e com várias competições rolando, começaram a surgir maiores responsabilidades, tanto por parte de times como por parte dos cyber atletas. Em 2015, um torneio realizado pela Valve, criadora de um dos jogos mais populares do eSports, o Dota 2, pagou em premiação cerca de US$18.429.613,00. Este mesmo torneio pagou, em 2016, o que é o maior prêmio até hoje pago, US$20.770.640,00.

Com organizações, diversos torneios e premiações significativas, o eSports se consolidou como algo que muitos jovens gostariam de fazer parte e encarar como profissão. Exatamente por conta disso, começaram a surgir ídolos do eSportes, ícones que ficaram conhecidos tanto tecnicamente como pelo seu carisma em transmissões.

Plataforma de transmissão de eSports

Em 2011 foi fundada a Twitch.tv que é a principal plataforma de transmissão de eSports.

Com a Twitch.tv, o número de espectadores das competições aumentou ainda mais, proporcionando uma nova forma de divulgação dos jogadores. Não foram poucos os que conseguiram destaque e alcançaram renda extra por meio das transmissões ao vivo, estreitando ainda mais os laços com os fãs.

Neste cenário, vale citar o brasileiro Yoda, jogador profissional de League of Legends, que, desde que começou as transmissões na Twitch.tv, tornou-se um dos jogadores mais populares do mundo, acumulando uma audiência de mais de 110 mil pessoas simultâneas em uma só transmissão.

Outros ícones do eSports conhecidos tanto pelo seu carisma em transmissões quanto tecnicamente são:

Daigo, conhecido como “The Beast”

No auge do crescimento do E-sports, Daigo protagonizou o que viria a ser uma das maiores cenas do cenário de competitivo de Street Fighter.

Daigo já ganhou diversos Evolution Championship Series (EVO’s), principal campeonato de jogos de luta, no jogo Street Fighter. Chegando US$ 60 mil em um só campeonato.

Faker

Eleito diversos anos como o melhor jogador do mundo em League of Legends(LoL), o sul coreano é uma das maiores lendas e ídolos do eSports. Até mesmo quem não conhece ou não joga LoL já ouviu falar. Conhecido muito pela sua técnica dentro do jogo e também por ser bastante tímido. Referência internacional em League of Legends.

Kami

Com 22 anos, Gabriel Bohm Santos foi um dos primeiros brasileiros a se destacar no cenário competitivo de League of Legends e isso muito ligado ao fato de notícias que diziam que os valores de rescisão de contrato seu com o time Pain(2011 – atualmente) ficariam no valor de cerca de R$ 1 milhão. Hoje em dia suas streams acumulam diversas pessoas assistindo, ,tornando Kami um dos atletas mais conhecidos do cenário.

ColdZera

O brasileiro seguidamente está entre os melhores do mundo no que diz respeito a Counter Strike.

Coldzera juntamente com Taco, Fer e Fallen acumularam em 2017 mais de US$ 500 mil cada em premiações e formaram por muito tempo o time titular da SK Gaming. Time este que por diversos anos seguidos foi campeã mundial de CS(Counter Strike) e considerado um dos melhores times do mundo.

Vale aqui citar uma das jogadas de Coldzera, que foi considerada tão extraordinária e importante que a empresa desenvolvedora do jogo criou uma imagem estampada em uma das paredes que faz referência a jogada feita por ele.

Fallen

Provavelmente a maior celebridade do cenário de eSports brasileiro e um dos maiores do mundo. Respeitado por ser um dos melhores jogadores de AWP(sniper rifle de Counter Strike), Fallen levou o nome do Brasil para todos no mundo do eSports. Lidera desde 2016 a equipe da SK, considerada por muitos uma das melhores equipes do mundo.

Fallen é bastante conhecido por ser muito engajado e tentar sempre incluir e mostrar a todos a importância de profissionalizar o eSports. Um exemplo disto foi a criação do Game Academy, uma escola de Counter Strike onde ensina e dá diversas dicas para pessoas que queiram começar a jogar tanto de forma amadora quanto de forma profissional.

O mercado de eSports

Atualmente o líder do mercado é os Estados Unidos que promove torneios de até US$ 257 milhões anuais. Já quando se trata de audiência, o Brasil está em terceiro lugar maior público de eSports do mundo, com 11,4 milhões de pessoas acompanhando. Ficando apenas atrás de China e dos Estados Unidos.

Aproveitando este crescimento, muitos times da Europa e Estados Unidos começaram a vir para o Brasil e contratar times para representarem organizações grandes do cenário, como a Liquid, Faze, Red Canids e diversas outras. A Riot, responsável pelo jogo League of Legends, vem promovendo no Brasil cada vez mais campeonatos do seu jogo, inclusive o CBLoL, Campeonato Brasileiro de League of Legends, que já foi realizada em arenas como Allianz Parque em São Paulo e no estádio Mineirinho em Belo Horizonte, onde mais de 8 mil pessoas compareceram, além de cobertura de canais como SporTV e ESPN e salas de cinema transmitindo as partidas.

O eSports está crescendo e isso é um fato. Com alguns questionamentos ainda sobre se efetivamente esporte ou não, foi levantada a hipótese se poderia entrar nas próximas olimpíadas. É um mercado que tem muito ainda o que crescer e se profissionalizar, com a ajuda de outros profissionais da área de marketing, mídias sociais, designers, jornalistas, narradores e empresários.

O videogame deixou de ser brincadeira de criança para virar coisa séria. E depois de toda essa caminhada até essa consolidação só nos resta como jogadores de videogame dizer: GG(good game)!

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Paulo Salatino

Paulo Salatino

Analista de Conteúdo em Kinghost
Editor de vídeos e Produtor de Contéudo. Nerdzinho. Viciado em Youtube e tudo que se refere a games. Jogador de Rainbow Six.
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