Termos racistas na tecnologia: como evitar


Aqui na KingHost, substituímos expressões dos painéis, entenda como é possível evitar termos racistas usados na tecnologia.

As ações antirracistas felizmente têm ganhado o mundo com mais intensidade. Em 2020, devido à necessidade do distanciamento social como medida para prevenir a propagação da Covid-19, temos uma oportunidade de mais tempo para refletirmos sobre velhos hábitos e maneiras de agir e pensar.

Partindo desse momento de reflexão e dos acontecimentos ocorridos que deram reforço ao Black Lives Matter, nos Estados Unidos, após a morte do George Floyd, um outro movimento paralelo tem ganhado força em empresas da área de tecnologia: a atenção a termos de codificação com referências à escravidão.

Visando adequar cada vez mais nosso mundo à realidade de equidade e respeito, vamos abordar um pouco algumas questões nesse sentido. Para começar, é importante que a tenhamos um ponto bastante importante compreendido:

Por que referenciamos “black” como sinônimo de algo indesejado e “white” como confiável?

Em nosso cotidiano, ainda é bastante frequente utilizarmos termos e expressões sem pensar em sua origem e real significado.

Se pensarmos no contexto da tecnologia, não raro utilizamos as palavras “black” e “white”, “preto” e “branco” respectivamente, sendo a palavra “black” fazendo referência a algo negativo ou não confiável e a palavra “white” referenciando algo positivo, que podemos confiar.

Termos que hoje são mais comuns na área de SEO e Marketing Digital, como White Hat e Black Hat, vêm antes mesmo destas aplicações. Eram usados anteriormente para diferenciar tipos de hackers.

Na área que trata sobre segurança da informação, tais termos eram utilizados para denominar características dos profissionais. Se formos traduzir os termos direto do inglês, Black Hat e White Hat seriam, respectivamente, Chapéu Preto e Chapéu Branco. Nesse contexto, chapéu preto significaria um profissional que usa seu conhecimento para algo malicioso enquanto que o chapéu branco seria o profissional que usa seu conhecimento para denunciar falhas relacionadas à programação de um sistema ou site. Percebem?

O significado e utilização de termos racistas na área de hosting

No ambiente de Hosting, infelizmente, ainda é bastante frequente definirmos esses termos para as seguintes funcionalidades:

  • Blacklist → “Lista Negra”, bastante utilizado em listas de bloqueios de remetentes de e-mails, palavras e algo que não seja confiável;
  • Whitelist → “Lista Branca”, aquilo que é confiável, também utilizado frequentemente em listas de classificação, seja para e-mails ou palavras.

Se pararmos para refletir, não é difícil pensar em trocar esses termos por algo menos ofensivo – porém que ainda faz sentido para utilização das funções que eles exercem atualmente. Uma sugestão poderia ser lista de negação / lista de permissão ou ainda lista de bloqueio/lista de passagem.

Outros dois termos que são utilizados constantemente no mundo do host são:

  • Master → “Mestre”. Utilizado no mercado de hosting geralmente em configuração de servidores DNS, onde o Master é o principal servidor, configurado normalmente com os arquivos de definição de zonas do domínio, com acréscimo de definições para transferência de dados para os servidores secundários.
  • Slaves → “Escravos”. Também utilizado na configuração de servidores, são os servidores secundários, configurados quase que só por definições de transferências de dados para o servidor Principal, nas próprias definições das zonas de domínio.

Sugestões de substituições poderiam ser:

  • Primário/Secundário (Primary/Secondary)
  • Principal/Réplica ou Subordinado (Main/Subordinate or replica)
  • Iniciador/Alvo (Initiator/Target)
  • Solicitante/Respondente (Requester/Responder)
  • Controlador/Dispositivo (Controller/Device)
  • Anfitrião/Trabalhador ou Representante (Host/Worker or Proxy)
  • Líder/Seguidor (Leader/Follower)
  • Diretor/Executor (Director/Performer)

Que tal adotarmos essa mudança?

Como parte do nosso DNA nós, KingHosters, defendemos a inclusão e diversidade. Encaramos que as empresas têm um papel de agente de transformação em uma sociedade na qual ainda pratica o preconceito e a utilização de termos históricos com cunho de discriminação seja ele por etinia, religião, orientação sexual ou qualquer outro recorte minorizado.

Como podemos acompanhar recentemente, o movimento “Black Lives Matter” iniciado nos EUA após o caso de George Floyd, reforçou-se globalmente. Isso potencializou as vontades e iniciativas das pessoas no mundo a reinventar, substituir termos e até mesmo remover estátuas com legados racistas.

Na tecnologia não foi diferente, Linus Torvalds, o criador e um dos principais desenvolvedores do Sistema Operacional Linux, anunciou mudanças em seus códigos, substituindo todos os termos sensíveis e considerados discriminatórios.

Nosso papel aqui na KingHost eliminando termos racistas

Nós aqui da KingHost, temos muito orgulho também de compartilhar com vocês que removemos determinados termos de nosso vocabulário técnico.

Um exemplo plático é a tela do painel abaixo, a qual antes utilizávamos as expressões “whitelist/blacklist”:

painel antes de sustituir termos racistas

E alteramos para “liberação/bloqueio de emails (remetentes):

painel após substituir termos racistas

É evidente que esse é um caminho que ainda estamos trilhando, em processo de aprendizado, tentando cada vez mais estarmos atentos a expressões racistas ou discriminatórias e viéses inconscientes para evoluirmos e inspirarmos a sociedade.

Leia também: outros conteúdos relacionados à diversidade.

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Esse post sobre termos racistas na tecnologia foi uma iniciativa do KingHoster Bruno Freitas, em parceria com o colega Gabriel Vincente, ambos integrantes do Comitê de Inclusão e Diversidade da KingHost.

Bruno Freitas

Analista de Hosting em KingHost
Entusiasta em servidores Linux e WP-CLI
Bruno Freitas

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