Dia da Liberdade de Imprensa no Brasil: entrevista com pesquisadora Ana Brambilla


Hoje é comemorado o Dia da Liberdade de Imprensa no Brasil, um direito que os profissionais de comunicação e mídia conquistaram de fazer com que suas informações possam circular livremente em nosso país.

Essa data também é bastante importante para nós da KingHost, que acreditamos e defendemos a democracia digital tanto no que se refere ao acesso a informações quanto às plataformas que possibilitam isso acontecer. Está em nossa missão amplificar as conexões humanas na Internet, simplificando o acesso às melhores escolhas em tecnologia.

Por conta disso, convidei uma antiga amiga, referência em mídias sociais e jornalismo colaborativo no Brasil, a jornalista, doutoranda em Comunicação pela Universidad Austral de Buenos Aires, professora da Universidade Cáspero Líbero (SP) e pesquisadora, Ana Brambilla,  para uma conversa sobre como está o cenário da liberdade de imprensa no Brasil atualmente, sobretudo, dentro dos meios digitais. Falamos também sobre os principais desafios a serem enfrentados e cuidados que precisam ser tomados dentro deste contexto.

Como você vê a liberdade de imprensa no Brasil nos dias de hoje?

Comparado a outros países latinoamericanos, o Brasil é um país onde a gente pode dizer que sim, há liberdade de imprensa. Ainda que o país apareça na 102ª posição no ranking da ONG Repórteres Sem Fronteira, a liberdade acontece à medida em que qualquer veículo pode operar sob a linha editorial que quiser. Isso é bem diferente, por exemplo, de cenários como o da Venezuela, onde empresas editoriais sofrem a intervenção e até a apropriação do Estado por conta da realização de denúncias contra a ditadura de Nicolás Maduro.

Quais os principais desafios para legitimar uma notícia dentro do cenário de fake news?

O cenário de fake news sempre existiu. A popularização do tema nos últimos meses me levanta muitas suspeitas; um exemplo é a crise de relevância enfrentada por boa parte dos veículos profissionais de jornalismo. Eles se encontram numa verdadeira campanha por associar redes sociais a fake news, posicionando-se como a única opção para a população encontrar informação de credibilidade.

De qualquer maneira, é inegável que as o aumento das conexões entre pessoas torna a disseminação de qualquer informação muito mais ágil e eficiente. E isso também vale para boatos. Penso que estamos atravessando um momento de amadurecimento no uso das redes. Não é responsabilidade da tecnologia, nem dos veículos que as fake news desapareçam. Tampouco creio que elas desapareçam! Mas como este é um fenômeno essencialmente humano, a sociedade mesma vai se tornar mais imune à disseminação de informações falsas.

É um processo social, lento e orgânico. Enquanto isso, resta o jornalista fazer o que sempre fez para legitimar suas informações em qualquer espaço: apurar, checar e, de preferência, não dar barrigada.

Este ano teremos eleições. Como você vê isso num contexto que envolve redes sociais, políticos e posts patrocinados?

Estou ansiosa para ver o espetáculo começar! Creio que teremos manobras criativas para o uso de posts patrocinados com finalidades eleitorais e que isso poderá, sim, impactar na escolha da população. É triste? Claro que é! Mas faz parte do processo de amadurecimento de uso das redes que mencionei antes. E crescer dói.

Como é sua rotina como jornalista independente / professora?

Tento trabalhar com meus alunos dentro de um cenário realista, ou seja, não douro a pílula. A nossa atividade passa por uma crise estrondosa que não é apenas de modelo de negócio, mas de relevância na vida das pessoas. Ainda assim, quero que eles saiam da faculdade aptos não apenas para trabalhar em veículos, mas para fazer um jornalismo que importe, que faça a diferença na rotina de alguém e, principalmente, que não se confunda com militância.

Para isso, a rotina é de constante atenção aos movimentos do mercado editorial e de tecnologia, sempre com um olhar analítico. Não fazer mais do mesmo é um desafio e tanto!

Nessa direção me envolvi com as Ciências do Consumo, que têm avançado de um modo impressionante e atraído muita gente da Comunicação. Coordeno uma pós-graduação com este tema e tenho aprendido demais. Em paralelo, sigo com a produção acadêmica e com projetos pontuais de criação de estratégia editorial e de social media.

Como você enxerga a transição do impresso para um canal online? O quanto isso está associado à liberdade de imprensa no Brasil?

Vejo que a transição de plataforma impresso-digital foi muito parecida à adoção de outras tecnologias no jornalismo, como o rádio e a TV: se seguia fazendo o mesmo jornalismo de antes, porém, se veiculava na nova plataforma. Demorou muito para cair a ficha de que se tratava de um ambiente completamente diferente dos demais.

Internet não era “apenas mais uma saída de conteúdo”, mas uma plataforma de relacionamento. Isso rompe com a primazia dos veículos sobre os conteúdos. Essa demora para compreender a dinâmica do digital fez muito mal ao jornalismo, especialmente às empresas que têm ou tinham no impresso sua atividade central, como é o caso da Editora Abril.

Vejo essa transição difícil e custosa para os veículos muito mais associada à dinâmica de sociabilidade que emerge das tecnologias digitais do que a questões ligadas à liberdade de imprensa no Brasil. As ferramentas online facilitaram demais a rotina do jornalista de qualquer meio e recursos como a deep web ajudam no acesso e na disseminação de informações protegidas. Ainda falta o jornalismo usar o meio digital mais como ferramenta de produção do que apenas como deságue de conteúdo.

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Resumo
Dia da Liberdade de Imprensa no Brasil: entrevista com pesquisadora Ana Brambilla
Nome do Artigo
Dia da Liberdade de Imprensa no Brasil: entrevista com pesquisadora Ana Brambilla
Descrição
Entrevista com a jornalista e pesquisadora, Ana Brambilla, sobre os principais desafios e cuidados que se devem ter a respeito da liberdade de imprensa no Brasil atualmente.
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Ivan Guevara

Ivan Guevara

Analista de Conteúdo em KingHost
Jornalista por formação, especialista em Marketing pela FGV. Movido por música, good vibes e baterias carregadas.
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