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Web 3.0 e a Re-descentralização da Web


Entenda o que é web 3.0 e o que isso pode significar em relação à uma possível re-descentralização da internet. Assista também à entrevista com Jaydson Gomes, no Conexão KingHost 2019.

Você recentemente considerou excluir sua conta do Facebook, boicotar a Amazon ou tentar encontrar uma alternativa ao Google? Você não estaria sozinho. Os gigantes da tecnologia estão invadindo nossa privacidade, fazendo mau uso de nossos dados, estrangulando o crescimento econômico e ajudando os governos a nos espionar.

No entanto, como essas poucas empresas possuem muitos dos principais serviços da Internet, parece que pouco as pessoas podem fazer para evitar ter que interagir com elas se quiserem ficar on-line.

30 anos após a criação da Internet, uma terceira geração de tecnologia da Web pode oferecer uma maneira de mudar as coisas. A DWeb, uma nova versão descentralizada do ciberespaço, promete permitir um melhor controle do usuário, mais concorrência entre empresas de internet e menos domínio das grandes corporações. Mas ainda há questões sérias sobre se é possível ou mesmo desejável.

A evolução até web 3.0

A primeira geração da web durou desde a sua criação por Tim Berners Lee, em 1989, até aproximadamente 2005. Era principalmente uma web passiva, “somente leitura”, com interação mínima entre os usuários.

A maioria de nós era apenas destinatário de informações. Depois veio a Web 2.0, uma “web de leitura e gravação” baseada em redes sociais, wikis e blogs que permitem aos usuários criar e compartilhar mais de seu próprio conteúdo, o que aumentou sua participação e colaboração.

Web 3.0 é o próximo passo. Em parte, será uma “web semântica” ou uma “web de dados” que pode entender, combinar e interpretar informações automaticamente para fornecer aos usuários uma experiência muito mais aprimorada e interativa. Mas também poderia ser uma web descentralizada que desafia o domínio dos gigantes da tecnologia, afastando-nos de depender tanto de algumas empresas, tecnologias e uma quantidade relativamente pequena de infraestrutura da Internet.

Tecnologia ponto a ponto

Hoje, quando acessamos a web, nossos computadores usam o protocolo HTTP na forma de endereços da web para encontrar informações armazenadas em um local fixo, geralmente em um único servidor. Por outro lado, a DWeb encontraria informações com base em seu conteúdo, o que significa que elas poderiam ser armazenadas em vários locais ao mesmo tempo. Como resultado, essa forma da Web também envolve todos os computadores que fornecem serviços, além de acessá-los, conhecida como conectividade ponto a ponto.

Esse sistema nos permitiria decompor os imensos bancos de dados atualmente mantidos centralmente pelas empresas de Internet, e não pelos usuários (daí a web descentralizada).

Em princípio, isso também protegeria melhor os usuários da vigilância privada e governamental, já que os dados não seriam mais armazenados de uma maneira fácil para terceiros acessar. Isso na verdade remete à filosofia original por trás da Internet, que foi criada para descentralizar as comunicações dos EUA durante a Guerra Fria para torná-las menos vulneráveis ​​a ataques.

Algumas das tecnologias que poderiam possibilitar a DWeb já estão sendo desenvolvidas.

Por exemplo, o Projeto Databox visa criar um dispositivo de código aberto que armazena e controla os dados pessoais de um usuário localmente, em vez de permitir que as empresas de tecnologia os reúnam e façam o que bem entenderem.

O Zeronet é uma alternativa à web existente, onde os sites são hospedados por uma rede de computadores participantes, em vez de um servidor centralizado, protegido pela mesma criptografia usada no Bitcoin. Existe até uma versão DWeb do YouTube, chamada DTube, que hospeda vídeos em uma rede descentralizada de computadores usando uma “blockchain” pública como banco de dados e sistema de pagamento.

No entanto, essa tecnologia ainda está em seus estágios iniciais. E mesmo quando estiver pronto, será difícil fazer com que os usuários usem novos aplicativos baseados na DWeb.

Enquanto a Web 2.0 forneceu uma experiência obviamente mais atraente e fácil de navegar para todos os usuários em um mercado aberto, a DWeb oferece algo com benefícios menos óbvios e exige mais responsabilidade do usuário. No entanto, pessoas teriam que ser tentadas a adotar a tecnologia para quebrar o oligopólio estabelecido e obter sucesso.

Web 3.0: Riscos e regulamentação

A DWeb também vem com alguns riscos legais e regulatórios significativos. Isso tornaria ainda mais difícil o policiamento do crime cibernético, incluindo imagens de assédio online, discurso de ódio e abuso infantil, devido à falta de controle central e acesso a dados.

Uma web centralizada ajuda os governos a fazer com que as grandes corporações apliquem regras e leis. Em uma web descentralizada, não seria necessariamente claro quais leis do país se aplicam a um site específico, se seu conteúdo estivesse hospedado em todo o mundo.

Essa preocupação nos leva de volta aos debates da década de 1990, quando os juristas discutiam a favor e contra a influência que as leis nacionais poderiam ter na regulamentação da Internet. A DWeb reflete essencialmente as visões ciber-libertárias e as esperanças do passado de que a Internet pode capacitar pessoas comuns, quebrando as estruturas de poder existentes.

Mas isso depende dos usuários que tomam mais iniciativa e responsabilidade por seus dados e suas interações online.

Consequências da descentralização

Vimos que um grande número de pessoas está disposto a agir quando a experiência cotidiana da Internet está ameaçada. No entanto, ainda não está claro se o atual impulso por mais regulamentação se alinhará aos princípios de responsabilidade da DWeb ou colocará em risco as liberdades da Internet.

Os sistemas descentralizados também não necessariamente abolem estruturas de poder desiguais, mas podem substituir um pelo outro.

Por exemplo, o Bitcoin funciona salvando registros de transações financeiras em uma rede de computadores e é projetado para desviar das instituições financeiras tradicionais e dar às pessoas maior controle sobre seu dinheiro. Mas seus críticos argumentam que se transformou em um oligopólio, já que uma grande porcentagem da riqueza do Bitcoin é de propriedade de um número muito pequeno de pessoas.

A DWeb certamente tem seus benefícios e o potencial de dar mais poder aos usuários comuns da Internet. Mas isso exigiria algumas mudanças importantes na forma como percebemos a web e nosso lugar nela.

Por outro lado, com os governos interessados em aumentar a regulamentação da Internet, a DWeb pode realmente oferecer uma alternativa mais liberal a longo prazo.

Conexão KingHost

Quer entender melhor sobre a web 3.0 e a necessidade da re-descentralização da internet?

No Conexão KingHost 2019 o Jaydson Gomes em sua palestra intitulada “Como salvar a Internet: ainda há tempo para a re-descentralização” fala um pouco mais sobre os impactos e possíveis soluções. (Você pode assistir à entrevista com Jaydson no topo deste post ou clicando aqui).

Você pode acompanhar essa e todas as palestras  do Conexão KingHost 2019 preenchendo o formulário abaixo.


Fique ligado no Blog da KingHost para mais novidades e informações.

Fernando Silva

Information Security Specialist em KingHost
Especialista em Segurança da Informação na KingHost, mestrando em Ciência da Computação (UFRGS) com foco na linha de pesquisa em Segurança Cibernética, pós-graduado em Segurança Cibernética pela UFRGS, graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS) pela Faculdade Senac Porto Alegre. Um dos coordenadores da comunidade PHP-RS, entusiasta Open Source e Software Livre.
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Resumo
Web 3.0 e a Re-descentralização da Web
Nome do Artigo
Web 3.0 e a Re-descentralização da Web
Descrição
Entenda o que é web 3.0, o que isso pode significar em relação à uma possível re-descentralização da internet e quais serão as consequências.
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