Dia Internacional da Mulher Negra: minha trajetória na KingHost


Hoje é dia 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Caribenha, uma data para dar visibilidade a mulher negra e eu quero convidar vocês a conhecer minha história e trajetória até a chegada na KingHost neste post bastante pessoal e extremamente especial

O que é ser mulher negra na Kinghost?

Antes de responder vou mostrar para vocês alguns dados estatísticos: a população negra é maioria no país, quase 56% dos habitantes, o que torna o Brasil, a maior nação negra fora da África. Dentro desta perspectiva, a ausência de pessoas negras em espaços de poder deveria ser algo chocante, mas infelizmente a nossa realidade é diferente, nestes espaços predomina a branquitude privilegiada. Você deve estar se perguntando por que usei a palavra privilegiada? Vou lhe explicar.

Reconheça os Privilégios da Branquitude

Entre vários motivos, mas muito por causa do racismo estrutural, a população negra tem menos condições de acesso a uma educação de qualidade. Geralmente, quem passa em vestibulares concorridos, nas melhores universidades públicas são pessoas que estudam em escolas particulares, falam outros idiomas e fizeram intercâmbio. E é justamente o racismo estrutural que prejudica o acesso da comunidade negra.

Essa fala não é sobre capacidade, mas sobre oportunidade – e essa é a distinção que os defensores da meritocracia parecem não fazer.

Uma garota que precisa vender docinho para ajudar na renda da família e outro que passa as tardes em aulas de idiomas e de natação não partem do mesmo ponto. São poucos que podem se dar o luxo de cursar uma graduação sem trabalhar ou ganhando apenas uma bolsa de estágio. Eu mesma entrei na faculdade tendo que trabalhar o dia inteiro, fazer docinho à noite para vender na empresa durante o dia e fazer “malabarismo” para conseguir pagar a faculdade privada, pois não passei na universidade pública, você quer saber por quê? Pois passei boa parte do ensino fundamental e médio em greve, logo não tive acesso à metade das matérias necessárias para o vestibular – evidências da existência de privilégios para uns grupos e outros não.

É importante que os privilégios não sejam naturalizados ou considerados apenas esforço próprio.

Transforme seu ambiente

Muitas vezes pessoas negras enfrentam grandes dificuldades para obter um diploma, essa conquista é romantizada, as pessoas não sabem a sua história, por mais que seja bastante admirável que pessoas consigam superar grandes obstáculos, o racismo estrutural torna a pessoa negra invisível e solitária.

Sempre me questionei por que em alguns restaurantes, muitas vezes, as únicas pessoas negras presentes são as que estão servindo mesas; na televisão, não eram protagonistas; no jornalismo não existia quase ninguém (ainda não conhecia a Maju rsrs), enfim todos os lugares a branquitude predominava.

Comecei a pensar em ações para mudar essa realidade, pois enxergo como uma injustiça contra grupos sociais vulneráveis. Devemos lembrar que esta não é uma fala individual, mas estrutural.

Comece pela Educação

Para ter um diferencial, enxerguei como alternativa me debruçar nos estudos, comecei a participar de todos os cursos gratuitos relacionados à tecnologia da informação, tracei minha carreira, elaborei uma trilha de treinamentos para desenvolver os meus skill’s, busquei patrocínio e consegui entrar na área de TI por uma indicação de um professor da graduação (jamais será esquecida a pessoa que lhe dá a primeira oportunidade).

Alguns Fracassos e Algumas Vitórias

Depois que entrei na área de TI iniciando como Analista de Qualidade me apaixonei ainda mais por ela, apesar de algumas vezes a área de qualidade ser totalmente esquecida no processo de desenvolvimento de software nas organizações, escutando frase deste tipo: “Testar pra quê?”, “Não precisa passar pela validação da Mary”, “Teste não faz parte do desenvolvimento”, tudo isso é um absurdo para qualidade do desenvolvimento do software.

Enfrentei e presenciei discriminação por ser mulher e mulher negra, quando fui promovida para líder de teste, pessoas do time pediram demissão.

Quando eu viajava para apoiar os Consultores na implantação do sistema, ao chegar no cliente e me apresentar como líder de teste alguns olhares curiosos eram percebidos, pois o racismo estrutural predominava, mas naquele momento a opção era me aceitar no grupo. E nem preciso dizer que o grupo era predominantemente de homens brancos. Neste sentido, mulheres brancas são discriminadas por serem mulheres, mas privilegiadas estruturalmente por serem brancas.

Enfim estava naquele lugar para mostrar a minha capacidade profissional e não agradar as pessoas pela minha cor da pele e, assim foram alguns anos da minha trajetória de carreira, sempre precisei demonstrar muita competência, precisão e excelência para ser aceita em lugares de fala.

Enfim KingHost e o Dia Internacional da Mulher Negra

Encontrei a Kinghost pelo LinkedIn para oportunidade de Scrum Master, conhecia a empresa muito superficialmente, pois anos atrás hospedei um site.

No meu primeiro dia de King fui recepcionada por uma mulher negra (a quem chamo carinhosamente de nossa Rainha, a Sil) que me acolheu com muito amor e carinho e um sorriso preto lindo. Lembra Silvana Alvino? Gratidão pela melhor recepção que tive em todos os lugares que passei em toda minha vida.

mariana cruz e silvana Alvino

Silvana (esquerda) e Mariana (direita) em fotos na KingHost.

No tour de boas-vindas, ao me apresentar que iria exercer o papel de Scrum Master senti alegria no olhar das pessoas e não os olhares de julgamento ou desconfiança percebido ao chegar às empresas nos tempos antigos, meu coração exaltava de alegria, pois nos últimos anos minhas experiências não foram das melhores.

Um detalhe que vale a pena sinalizar são os valores da empresa, pois são de encontro com os meus valores de vida (Comprometimento, Simplicidade, Excelência, Integridade, Gratidão e Evolução).

Um momento que foi marcante e para muitos pode ser algo simples, foi minha primeira reunião de gestores, ao ser apresentada, fui aplaudida como gesto de boas-vindas ao mundo Kinghost, nunca tive oportunidade de agradecer este momento, pois em toda a minha trajetória ele foi único, gratidão meus colegas!

Hoje tenho dois times maravilhosos, tenho muito orgulho da oportunidade em ter realizado a seleção e contratação deste grupo, são profissionais de diferentes perfis, mas se completam demais, estamos no inicio da nossa jornada, mas acredito que juntos teremos muitas vitórias intelectuais, profissionais e pessoais, pois somos comprometidos e queremos sempre entregar o melhor resultado… este é o nosso lema Galera!!

Diretiva Primária: “Independentemente do resultado alcançado, nós entendemos e realmente acreditamos que todos fizeram o melhor trabalho que poderiam, dado o que era conhecido no período, suas habilidades e competências, os recursos disponíveis, bem como a situação enfrentada.” Norm Kerth

O tempo está passando e cada dia nesta empresa tenho a oportunidades de conhecer pessoas do bem que lutam pelas mesmas causas de equidade de gênero e inclusão e diversidade, tudo isso me faz sentir viva na minha luta diária, pois não estou sozinha, não sou invisível, sou respeitada no meu lugar de fala, tenho oportunidades de ser quem sou sem mascarar minha identidade. Não posso esquecer-me de sinalizar que nos meus times tem mulheres, negros, lésbica e héteros isso sim é inclusão e diversidade!

“Eu não vim neste mundo de passagem quero deixar legado, quero ser lembrada como uma cidadã preta que fez diferença na sociedade Brasileira.”

E para você, o que o Dia Internacional da Mulher Negra representa?

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Mariana Cruz

Scrum Master em KingHost
Atuo na transformação ágil trabalhando com Scrum, Kanban, Lean e DevOps, também tenho experiência em qualidade de software onde consigo "encaixar" a melhoria continua nas atividades exercida no papel de Scrum Master com os times ágeis. Acredito muito nas pessoas e no desenvolvimento corporativo justo e igualizado. Amo zumba e animais, principalmente os cãozinhos.
Mariana Cruz

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