Como liderar uma equipe remota: o que a quarentena me ensinou


Se trabalhar remoto num momento de isolamento social não é uma tarefa fácil, entender como liderar uma equipe nesse contexto pode ser ainda mais desafiador, repleto de incertezas e preocupações — e falo por experiência própria, dos dilemas diários que venho enfrentando.

No entanto, mais que a necessidade de ferramentas que viabilizem o trabalho de qualquer lugar do mundo, é fundamental a mudança de mindset, que vai de questões simples como pensar novos meios de comunicação, até problemas complexos como construção de laços de confiança e gerenciamento de crises.

A KingHost foi uma das primeiras empresas de Porto Alegre a incentivar o trabalho remoto como forma de manter a segurança de toda equipe. A transição de todas as pessoas – e somos mais de 200 – levou menos de 72 horas. Na segunda-feira que foi definida a saída do escritório foi um dia bastante tenso, as pessoas estavam se sentindo inseguras, ansiosas pelas definições e preocupadas com elas e suas famílias.

Exatamente nesse dia eu estava com uma crise de sinusite e já não podia mais ir para a empresa por estar com tosse, um dos sintomas da Covid-19. Minha comunicação com o time se manteve durante o dia pelo WhatsApp, enquanto aguardávamos a definição da Diretoria sobre os próximos passos.

Falta de comunicação é o caminho ideal para o caos

Nossa primeira ação em home office foi buscar ferramentas de comunicação para que pudéssemos nos apoiar e manter o alinhamento entre todo o time. Já usávamos o RocketChat como ferramenta padrão de comunicação na King, mas no time do Marketing sentimos falta de algo mais prático, principalmente para conversas rápidas e nossa reunião diária que dura aproximadamente 15 minutos.

Como principais ferramentas passamos a utilizar:

Discord – para reunião diária e alinhamentos rápidos por áudio;
Google Meet – para reuniões longas ou que precisem de compartilhamento de tela;
RocketChat – para nossa infinidade de mensagens de texto diárias;
WhatsApp – apenas como um backup quando as outras falham, afinal é importante ter um lugar de sossego.

Vale ressaltar que de nada adianta conhecer todas as ferramentas de comunicação e não dar atenção para as pessoas em conversas de qualidade e estando à disposição quando necessário. Crie espaço para o time se comunicar, seja em cerimônias para que todos possam se atualizar e ter certeza do direcionamento a seguir, como com tempo na sua agenda e demonstrando disponibilidade.

Confiança é uma construção

Não é por acaso que o GPTW – Great Place To Work  mede a confiança no ambiente de trabalho, pois ela é essencial para a boa relação entre colaborador, gestor e empresa. E realmente acredito que nesse momento de tantas indefinições foi quando me senti mais grata por a KingHost investir há tantos anos em boas práticas e se dedicar para ser uma empresa GPTW, me dando suporte para liderar nesse momento de incertezas.

Se de todas práticas que estou compartilhando você só conseguir realizar uma, que seja esta: confie no seu time.

Confiança é um ato de conexão e entrega. Não espere que seu time confie em você se você mesmo ainda não deu esse passo. E confiar significa saber que seu time vai fazer o melhor que pode de acordo com as variáveis que enfrenta, tendo você como exemplo, que também está se dedicando para isso.

É deixar claro que você confia em cada um sem fazer microgerenciamento de tarefas ou ficar testando se as pessoas estão trabalhando cada minuto. Se essa é sua dúvida, já deixo claro aqui, elas não estão! Ninguém trabalha absolutamente todo o tempo das 8 horas diárias, sem parar, no escritório. Por que fariam isso em casa? Na verdade, isso não é nem recomendado por impactar negativamente a saúde, foco e produtividade. Além disso, você vai investir tanto esforço em perseguir as pessoas que poderia aproveitar esse tempo para gerar valor para quem trabalha com você e seus clientes.

As pessoas são feitas de carne, ossos e muitos sentimentos

Como estão os seus sentimentos? Como você está sentindo nesse momento?

Dificilmente alguém que não está bem irá conseguir apoiar outra pessoa, como disse a Caren Cazorla, Coordenadora de RH aqui na King: “É tipo avião em caso de emergência: coloque a máscara em você e depois no coleguinha”.

Tenha compaixão não apenas com sua equipe, mas com você também. Acolher seus medos e sentimentos nesse momento é importante para estar mais estável e conseguir apoiar outras pessoas. Algumas opções que podem lhe ajudar com isso:

Meditação – na King temos grupo e facilitadores de meditação, mas reconheço que é um privilégio, então tenho duas dicas de aplicativos para te ajudar a praticar: Calm e Headspace;

Zenklub – mais um benefício fantástico que temos por aqui, é um aplicativo de terapia online. É pago, mas na versão gratuita conta com vários conteúdos para ajudar nos desafios emocionais;

Amigos – conversar com pessoas que amam você pode ser uma boa forma de externalizar e ressignificar seus sentimentos e percepções, mesmo que por chamada de vídeo nesse momento de isolamento social.

E a dica mais desafiadora, para mim ao menos, não tenha medo de ser vulnerável. Em alguns momentos você também pode não estar bem e compartilhar isso com o time pode ser importante até para que as pessoas entendam algum comportamento incomum da sua parte. Compartilhar momentos difíceis também deixará as pessoas mais confiantes e à vontade para compartilhar com você também seus desafios.

“A vida não é só trabalho”

“A vida não é só trabalho” foi uma das frases mais marcantes e doídas que já ouvi de uma pessoa que amo muito.

Sim, tenho dificuldades em lidar com relacionamentos e demonstrar o carinho que nutro pelas pessoas, minha zona de conforto é uma grande lista de tarefas, metas e desafios preferencialmente mensuráveis, com resultados e entregas bem definidas.

Mas ao longo dos anos descobri que construir um time é muito mais que pensar estratégias e distribuir tarefas. Para construir um time é preciso estar disposto a se relacionar, e não estou aqui falando de forçar uma amizade, fofocar da vida alheia ou chamar para padrinho de casamento.

Além do escritório – você sabe o que seus colegas gostam ou fazem além do escritório? Você pode estar deixando de conhecer talentos escondidos ou perspectivas interessantíssimas seja para o trabalho ou para crescimento pessoal;

Cerimônias – já comentei sobre criar tempo para conversas, faça isso o máximo possível, em momentos mais formais como reuniões individuais para saber como está o andamento das coisas e como as pessoas estão se sentindo, mas também proponha happy hours, reserve os primeiros minutos de reuniões enquanto aguardam a chegada de todos para falar de coisas descontraídas;

Pareça humano – se teve uma coisa que aprendi nessa jornada de liderança é que não basta ser tem que parecer. Então, se solte! Começou a segunda com preguiça, não tem problema, pode contar pro pessoal e fazer uma piada sobre. O filho chorou ou o gato miou no meio da reunião, tudo bem! Você está em casa não em uma ilha deserta, quem sabe já apresenta seus familiares para o pessoal?

Construir laços demanda tempo, dedicação e coragem, mas é um caminho sem volta para um lugar repleto de confiança e acolhimento.

Mesmo já tendo trabalhado com um time híbrido em que tinham pessoas no escritório e remoto, sinto que me adapto a cada dia não apenas ao home office, mas ao isolamento. Isso muitas vezes me gera exaustão, frustração e uma irritabilidade tremenda e lidar com esses sentimentos também pungentes em um time todo não tem sido fácil.

No entanto, cada um dos tópicos anteriores têm sido muito úteis e feito a diferença na gestão do dia a dia e tenho certeza disso, pois a cada 15 dias fazemos uma retrospectiva das últimas duas semanas no time e temos mantidos resultados excelentes num ambiente que se preocupa com a saúde emocional coletiva.

Como você está lidando com o trabalho durante a quarentena? Está tendo dificuldades de entender como liderar uma equipe? Deixa aqui nos comentários, vou adorar saber seus aprendizados, dúvidas e percepções sobre esse momento. Conheça também nosso movimento, o #DistantesMasJuntos, clicando no banner abaixo.

Conheça o movimento #DistantesMasJuntos saiba mais - Post sobre como liderar uma equipe na quarentena

Caterine Greif

Coordenadora de Marketing em KingHost
Entusiasta de Agile Marketing, é formada em Relações Públicas pela PUCRS, possui especialização em Marketing Digital pela ESPM e MBA em Gestão de Projetos pela USP. Com certificação em AdWords e Analytics pelo Google e Inbound Marketing pela Hubspot, possui 10 anos de experiência em comunicação e marketing digital.
Caterine Greif
Resumo
Como liderar uma equipe remota: o que a quarentena me ensinou
Nome do Artigo
Como liderar uma equipe remota: o que a quarentena me ensinou
Descrição
Entender como liderar uma equipe durante o período de isolamento social pode trazer diversos desafios, como uma mudança de mindset.
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