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Diversidade nas Empresas: 6 perguntas para quem quer começar

Publicado em 04/02/2020

Atualizado em 09/04/2024
Diversidade nas Empresas: 6 perguntas para quem quer começar

A pouca representatividade e diversidade nas empresas sempre foi algo que me chamou atenção. Encontrar um lugar no qual práticas pudessem ser incentivadas sempre foi algo que busquei. Nesse texto vou compartilhar 6 questões que podem ajudar quem quer começar a trabalhar sua respectiva iniciativa de inclusão.

Vamos começar com um fato: qualquer empresa ou negócio pode começar a trabalhar questões de diversidade e inclusão.

Eu gosto de reforçar isso porque já ouvi muitas vezes alguns comentários do tipo: “ah, mas minha empresa é muito pequena para se preocupar com isso”; ou ainda “minha empresa possui muitos funcionários e uma mudança desse nível é muito desgastante”.

Claro que toda mudança estrutural leva mais tempo, mas em qualquer ambiente isso pode começar a ser trabalhado de forma simples, verdadeira e com reais impactos sociais.

Neste artigo, proponho algumas perguntas (e suas respectivas sugestões de respostas) que são possíveis de serem feitas para se começar reflexões a respeito de diversidade e inclusão nas empresas.

Quer ouvir o conteúdo na integra? Clique o play abaixo:

1.  Diversidade nas empresas: como você está anunciando suas vagas?

Pergunta crucial para quem se questiona porque tem vindo tão pouca diversidade para entrevistas de emprego.

Um exercício interessante é levantar alguns tópicos como:

– Estou colocando diversidade nas peças gráficas?
– Está sendo sempre o mesmo padrão branco heteronormativo nas imagens?
– Somente pessoas brancas aparecem?
– Aparecem mulheres na posição de líderes?

São vários os RH’s de empresas que podem acabar na zona de conforto de “não é culpa minha se poucas pessoas diversas se inscrevem para se candidatar à vaga. o link está lá postado no site tal”.

Não, não, não!

É preciso entender onde estão essas pessoas, ir atrás de comunidades, caso se trate de um mercado no qual comunidades façam sentido, como o de TI. Coloque mais diversidade nas peças de anúncio. Representatividade importa e muito.

Além disso, tratar as vagas pelo gênero neutro faz bastante diferença. Em vez de “contratamos um desenvolvedor”, que tal escrever: “Estamos contratando uma pessoa desenvolvedora”?

São pequenos detalhes que possuem um grande impacto.

2 – Seus banheiros são diferenciados por gêneros?

Outro dia, em uma conversa sobre o Dia da Visibilidade Trans, ouvi a seguinte frase: “Muitas pessoas trans ficam apreensivas ao fazer entrevistas e pensarem em trabalhar em determinados lugares pelo constrangimento do momento de usar o banheiro”.

Eu já havia pensado sobre o assunto quando contratamos a primeira pessoa trans aqui na KingHost.

Na véspera da entrada da nossa colega, retiramos todos os sinais de “masculino” e “feminino” dos banheiros, que não são coletivos, e mantivemos apenas um banheiro feminino. Dessa forma, após a entrada da nova pessoa, as chances de um constrangimento ao usar o banheiro seria potencialmente bem menor.

Portanto, fica o aprendizado de que para começar a se pensar na inclusão de pessoas trans, banheiros segmentados por gênero podem dar margem para constrangimentos. São inúmeros os casos  que pessoas trans são expostas a estas situações em diversos segmentos da sociedade.

A KingHost, está comprometida com a inclusão e diversidade. Por isso, implementou um projeto para incluir o nome social no cadastro de seus clientes. No vídeo abaixo, a Bruna, uma das responsáveis pelo projeto, explica os benefícios da inclusão do nome social para pessoas transgênero.

 

3 – Como estão seus anúncios?

Quem está no processo de reunir argumentos para convencer ou mostrar a importância de trabalhar diversidade na sua respectiva organização, vale atentar a este aqui: diversidade vende.

Na realidade, sendo mais exato, de acordo com dados de um estudo da McKinsey, empresas com diversidade de gênero têm chance de aumentar a lucratividade em 21%. Enquanto que companhias com equipes etnicamente diversas têm 33% de possibilidade de aumento dos lucros.

Talvez você possa se perguntar: mas o que os anúncios têm a ver com isso? Eu respondo: absolutamente tudo.

Assim como nos anúncios de vagas, nas peças voltadas a campanhas de produtos ou soluções que uma empresa faz, deve conter diversidade também. Uma grande parte da população busca representatividade nas marcas que consome ou irá começar a consumir.

4 – Quais ações você faz para reforçar a cultura de inclusão?

Um ponto extremamente importante.

De nada adianta você ter uma empresa que apoia e divulga diversidade e inclusão apenas da porta pra fora. A causa deve estar dentro da companhia também, com o foco de fazer parte do DNA da organização, sendo celebrada, defendida e promovida.

É fundamental que a mudança de mindset para uma mentalidade voltada à diversidade seja apoiada e aceita pela alta gestão de uma empresa, de forma que ela venha de cima para baixo.

Caso trate-se de uma empresa menor, fica ainda mais fácil o processo e menos burocrático.

O importante é entender que não é necessário um grande projeto para começar a implementar uma cultura de inclusão dentro das empresas.

Pequenas ações diárias farão toda a diferença e ainda assim trarão um impacto social considerável.

Uma boa dica é propor rodas de conversas com convidados ou pessoas da própria empresas que possam compartilhar histórias e informações sobre questões muitas vezes veladas como machismo, violência doméstica, práticas antiracistas e homofobia, por exemplo.

Aqui na King nós fazemos o que chamamos de Cafés Filosóficos, que são encontros mensais nos quais são realizadas rodas de conversas sobre assuntos como os que comentei.

5 – Como é o processo de seleção da sua empresa?

Além de pensar no formato de anúncio de vagas e na forma como elas estão sendo publicadas e divulgadas, todo o processo para entrevistas e seleção de novas pessoas dentro da empresa também deve ser analisado.

Existem alguns modelos de entrevistas nos quais a dinâmica é composta por algumas pessoas entrevistando o candidato. Caso a pessoa que esteja concorrendo à vaga seja negra ou mulher, por exemplo, faz sentido convidar entrevistadores negros e mulheres também, para que se comece a gerar um grau de identificação e representatividade desde os primeiros contatos com a empresa.

Esse aprendizado surgiu de diversas conversas internas, nas quais colaboradores negros, mulheres, lgbt’s compartilharam experiências (boas e ruins) que tiverem nos mais diversos processos seletivos nos quais já passaram. Isso ajudou a evidenciar a importância muitas vezes minimizada da representatividade.

Além de garantir um maior bem-estar, poderá dar chances a esses candidatos exporem o que eles têm de melhor nesses momentos de entrevistas, garantindo a possibilidade de aproximar as oportunidades a todos os candidatos de forma mais igualitária e justa.

6 – Como é o posicionamento da sua organização em relação à diversidade nas empresas?

A forma como as empresas se posicionam tem sido acompanhada cada vez mais de perto pelos clientes e seguidores. Na era da reputação, é necessário estar atento e ser coerente com o discurso X prática, além de ser receptivo a críticas e sugestões de melhorias constantes.

Se sua empresa participa de feiras e eventos, por exemplo, por que não produzir brindes incluindo também a temática LGBT? Sejam adesivos, pins ou vídeos apoiando e defendendo causas, isso gera acolhimento, inclusão e pertencimento aos mais diversos públicos.

Qual a imagem que sua organização quer passar?

Lembre-se que, no início do texto, comentei da atenção que precisamos ter em sermos coerentes, ter inclusão e diversidade não somente da porta pra fora da empresa, mas sim deixar claro que ela faz parte do DNA da companhia, não apenas para mostrar algo que não é legítimo.

Uma dica valiosa: aproveite datas comemorativas para apoiar e defender momentos importantes para grupos minorizados. Você não precisa fazer uma grande campanha, apenas lembre de datas como “Dia da Visibilidade Trans”, “Dia Contra Homofobia”, “Mês da Consciência Negra”. E, mais do que isso, tente entender o significado destas datas para os respectivos grupos aos quais elas representam.

Dica de ouro para trazer diversidade nas empresas

Pergunte. Questione. Pesquise.

Não tem problema algum não saber o termo correto ou como se posicionar em determinada situação. A solução mais indicada sempre será perguntar quando não se souber de algo.

Quer entender sobre questões relacionadas à negritude? Pergunte a uma pessoa negra.

Quer conhecer como é a vida de pessoas LGBT’s, olhe para os lados e encontre alguém que pertença à comunidade gay e faça perguntas.

Quer saber quais desafios pessoas com deficiência enfrentam diariamente? Busque grupos relacionados à essa temática e veja como você pode contribuir para aumentar a qualidade de vida destas pessoas.

Ninguém é obrigado a saber de tudo. O diálogo e a comunicação estão aí para serem usados ao nosso dispôr. Usufrua das habilidades que você tem e entre e seja mais uma pessoa a lutar pela construção de um mundo mais inclusivo trazendo mais diversidade nas empresas também.

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